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A decadência dos comerciais brasileiros em Cannes

Antes de aquecermos os motores para o Cannes Lions 2012, ainda temos tempo para ver um pouquinho da história do Brasil no festival até aqui.

Não é novidade para ninguém que o país que nos últimos anos sagrou as agências F/Nazca S&S, DM9DDB e AlmapBBDO Agency of the Year é um dos queridinhos do Festival. Em 1999, por exemplo, a DM9DDB, que ganhara em 1998, seria novamente a mais premiada do Festival com quatro Leões de Ouro, dois de Prata, quatro de Bronze, um Cyber Lion e 41 Finalistas. No ano seguinte, agora vencido pela AlmapBBDO, o Brasil teria o segundo maior número de inscrições, com 2.686 peças (contra 2.794 americanas): 378 para Films; 1.880, Press & Poster; 375, Cyber; e 53, Media. 2001 fecharia este ciclo de vitórias colocando as brasileiras F/Nazca S&S, DM9DDB e AlmapBBDO no topo da lista das agências mais premiadas. O Brasil se manteve com premiações consistentes na década e, nos anos de 2010 e 2011, a AlmapBBDO foi novamente consagrada Agency of the Year.

Claro que Cannes mudou muito ao longo as décadas e também mudaram as origens dos ouros brasileiros. Segundo o Portal da Propaganda, atualmente, apesar de apoiarem as novas áreas, alguns criativos, como o diretor Andres Bukowinski, ganhador de 25 Leões e titular da ABA Filmes, acreditam em certa banalização dos prêmios: “Antigamente era muito mais difícil ganhar um Leão. Hoje, como as opções de prêmios são maiores, o sabor da conquista diminuiu”.

Fato é que o Brasil tem sido “carregado” pela área Press (que ganhou até um Grand Prix em 1993, com Guaraná Antarctica Diet) e, há muito tempo vem tendo pouco destaque – e levando uma verdadeira surra de países como a Argentina – na área de Films, a mais tradicional.

A experiência brasileira na área teve algumas características próprias. O presidente Jânio Quadros proibira a veiculação de mensagens comerciais na televisão brasileira na década de 60 e, só em 1970, surgiria a CP – Cinema e Publicidade, empresa de exibição e distribuição de filmes a ser filiada à SAWA. Um dos resultados seria o ingresso brasileiro em Cannes no ano seguinte, com 22 filmes, a participação de Alex Periscinoto no júri e um excelente retorno: uma prata, do comercial O Nobre para a mortadela Swift, estrelado por Raúl Cortez, e dois bronzes, de Overturn para Cofap, e The Big Class of Satisfaction, para Lacta

 

Depois disso, vieram filmes que consagraram criativos como Washington Olivetto. Com apenas 20 anos, em 1972, conquistou seu primeiro bronze sem nem ao menos ir ao Festival, tal era seu descrédito na possibilidade de vencer. Três anos depois, quando estava na agência DPZ, Olivetto ganharia o primeiro ouro brasileiro, com o filme Homem com mais de 40 anos, para o Conselho Nacional de Propaganda.

Após anos de fartura, infelizmente, desde 2000, o Brasil só levou 4 leões de ouro com seus filmes: Cachorro-Peixe (2009), Kleenex Azarados (2005), GE Porco (2003) e Época A Semana (2000). Será que 2012 vai mudar esta história?

 



Ikea: leões e zebras

O anunciante do ano de 2011, para surpresa de muitos é a gigante moveleira sueca Ikea. Para muitos, mas não para todos. Quem já vem acompanhando as campanhas inovadoras e principalmente interativas da marca sabe que diversas agências têm recolhido leões graças ao posicionamento arrojado e criativo da empresa.
Por outro lado, a campanha favorita da marca para este ano foi a zebra da vez e não recebeu a consagração esperada. Mesmo assim, vai merecer um espaço por aqui.

Em outro ano, o livro de receitas da Ikea também chamou a atenção dos designers no festival.

Mas no assunto interatividade, foi a campanha Facebook Showroom em 2009 (de que falamos aqui) que chamou a atenção e saiu com um leão em Titanium.

Neste ano, apesar de algumas promessas da empresa virarem zebras, uma peça de Ikea obviamente tinha que levar algo (nem que fosse o bronze) na categoria mais tradicional do Festival: Films. Confira!